O património da Vista Alegre é candidato ao galardão que já veio quatro vezes para Portugal e visa destacar projectos originais e inovadores de desenvolvimento regional apoiados por fundos europeus. A edição deste ano dos prémios RegioStars, atribuídos pela Comissão Europeia, conta com a marca centenária de Ílhavo, um dos quatro finalistas portugueses (os outros são a Casa do “Kastelo”, o instituto I3S e o Centro de Negócios do Fundão), num total de 21 nomeados. Os vencedores irão ser conhecidos a 9 de Outubro, durante a Semana Europeia das Regiões e Cidades.

A unidade museológica da Vista Alegre situada em Ílhavo comemora 54 anos de vida. O projecto que está na corrida, além do museu propriamente dito, engloba o restante conjunto arquitectónico da envolvente da histórica fábrica de porcelanas.

Em causa está o chamado Museu do Património da Vista Alegre e que abrange a fábrica, que tem quase 200 anos de existência (foi fundada em 1824), o teatro, a capela, o bairro operário e o hotel de cinco estrelas que ali foi construído no âmbito da requalificação e preservação de todo aquele património arquitectónico. 

Candidato aos RegioStars na categoria “Investir no património cultural”, este “projecto integrado permitiu a preservação de um património cultural internacional, salvando a marca da ruína e contribuindo para o aumento do turismo na região”, destacou a CCDRC (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro), em comunicado. 

O primeiro museu organizado data de 1947 e foi instalado no palácio, junto da Capela da Vista Alegre. Em 1964, conforme se lê no portal da empresa, o museu foi ampliado e aberto ao público, mudando para os edifícios antigos da fábrica, local com espaço para alojar o espólio de peças de porcelana, documentos e desenhos. Estas instalações foram renovadas em 2001.

Entre 2014 e 2016, o Museu Vista Alegre sofreu obras de requalificação, que incluíram a recuperação do património edificado existente e a ampliação dos espaços expositivos, destacando-se a integração de dois antigos fornos da empresa nas áreas de recepção do museu.

O novo museu mostra a história da fábrica, a evolução estética da produção de porcelana e a sua importância na sociedade portuguesa nos séculos XIX e XX, através de um dos mais completos espólios museológicos do género, que conta com mais de 30 mil peças. 

O edifício da antiga Creche da Vista Alegre foi também recuperado e reconvertido em extensão educativa do Museu Vista Alegre, explica a empresa no seu site. Datado de 1944, este espaço acolhia e cuidava dos filhos dos trabalhadores, representando um importante apoio social para a comunidade. 

O museu oferece uma programação cultural rica e diversificada que promove a ligação entre a fábrica e os seus visitantes, criando oportunidades de aprendizagem, nomeadamente através da pintura cerâmica ou modelação de pasta.