Fundada em 1837, a Antiga Confeitaria de Belém, que fabrica e vende os famosos pastéis de Belém, em Lisboa, emprega 180 trabalhadores, produz 20 mil pastéis por dia, registou um volume de negócios na ordem dos 8 milhões de euros, em 2016, e um crescimento de 3% nos últimos anos.

No âmbito da sua política de reforço da ligação aos associados, a AIP visitou, no dia 7 de agosto, a empresa, vizinha do Mosteiro dos Jerónimos, que conheceu em detalhe os projetos de apoio à competitividade, internacionalização e formação da Associação.

A fábrica e o estabelecimento onde é vendida e servida a célebre iguaria concentram-se no mesmo edifício, sendo que as salas têm uma capacidade para 400 lugares sentados, na sua maioria ocupados por clientes estrangeiros, que representam metade da faturação realizada.

Miguel Clarinha, que recebeu a visita da AIP e um dos três sócios desta empresa familiar, que já vai na quarta geração, quer manter a produção dos “Pastéis de Belém” no país, “preservando deste modo a sua autenticidade e história, na íntegra”, garante.

A internacionalização da marca é feita assim “ao contrário”, ou seja, de fora para dentro, divulgando os pastéis e promovendo a sua venda e consumo no território nacional, por parte dos cidadãos estrangeiros.

A fabricação dos “Pastéis de Belém” teve início em 1837, a partir de uma antiga receita do Mosteiro dos Jerónimos, e desde então, são produzidos de acordo com essa “fórmula” e segundo os mesmos processos artesanais.

Reza a história que “no início do séc. XIX, em Belém, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, laborava uma refinação de cana-de-açúcar associada a um pequeno local de comércio variado”, lê-se nos anais da empresa, disponíveis no seu sítio. “Como consequência da Revolução Liberal, ocorrida em 1820, são em 1834 encerrados todos os conventos e mosteiros de Portugal, expulsando o clero e os trabalhadores”.

“Numa tentativa de sobrevivência, alguém do Mosteiro põe à venda nessa loja uns doces pastéis, rapidamente designados por “Pastéis de Belém””, continua.

“Na época, a zona de Belém era distante da cidade de Lisboa e o percurso, assegurado por barcos de vapor”. No entanto, “a imponência do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém, atraía os visitantes que depressa se habituaram a saborear os deliciosos pastéis originários do Mosteiro”.

Em 1837, inicia-se o fabrico dos “Pastéis de Belém”, em instalações anexas à refinação, segundo a antiga “receita secreta”, oriunda do Mosteiro. “Transmitida e exclusivamente conhecida pelos mestres pasteleiros que os fabricam artesanalmente, na “Oficina do Segredo””, receita esta receita que se “mantém igual até aos dias de hoje.

“A única verdadeira fábrica dos “Pastéis de Belém” consegue, através de uma criteriosa escolha de ingredientes, proporcionar hoje o paladar da antiga doçaria portuguesa”, sublinha a empresa.

Antiga Confeitaria de Belém é “Sócio de Mérito da AIP” e filiada há quase um século

“Notável exemplo de criatividade, tenacidade e longevidade empresarial”, a Antiga Confeitaria de Belém Lda é associada da AIP desde 26 maio 1942, já lá vão 75 anos, quase um século.

“Tem dado ao país um “inestimável contributo graças à eficiente e prolongada promoção de um produto exclusivamente português e de grande aceitação até em mercados internacionais mais longínquos”, assim considerou a direção da AIP, quando, há dez anos, atribuiu o diploma de sócio de mérito à dona dos “Pastéis de Belém”, no âmbito das comemorações do 170.º da Associação.

A Antiga Confeitaria de Belém “é um bom exemplo de “empreendedorismo”, ao conseguir atravessar, com sucesso, três séculos que conheceram as mais profundas revoluções industriais, tecnológicas, económicas, sociais, políticas e culturais”, acrescentou a AIP ao sublinhar que a empresa “constitui um importante exemplo de criação, valorização e manutenção de um produto cuja qualidade é altamente reconhecida pelo mercado”.


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