O hidrogénio vai reforçar o sistema energético em Portugal
e na Europa com uma energia segura, competitiva e limpa

Se estamos comprometidos com a minimização das alterações climáticas e com a transição energética, vamos precisar do hidrogénio. Mas também de mais energias renováveis, mais eficiência energética e de muita eletricidade. Logo, vamos precisar de hidrogénio!

Várias organizações afirmam que o hidrogénio, em 30 anos, pode ser tão importante na matriz energética como é hoje a eletricidade. Penso que é fácil entender o desafio que temos pela frente.

Desde a Revolução Industrial já emitimos cerca de 2200 giga toneladas de gases com efeito de estufa!

Em 2018, para um aumento da temperatura entre 1,5 e 2 graus tínhamos entre 580 a 1500 giga toneladas de CO2. Atualmente, estamos a fazer mais de 50 giga toneladas por ano.

O tempo para agir é agora. Como é que fazemos isto? Fazemo-lo através da transição energética.

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E o que é a transição energética? É um desafio enorme! É darmos toda a energia que o mundo precisa, porque temos cada vez mais população e mais atividade económica, mas reduzindo o impacto ambiental dessa energia e mantendo-a, em simultâneo, mais competitiva e disponível para todos.

Precisamos de aumentar a eficiência energética, trazer mais renováveis para o sistema energético e encontrar novas portas de entrada para elas neste âmbito.

Necessitamos também de veículos limpos para a energia (climate energy careers). A eletricidade é um destes veículos, e muito importante, mas o hidrogénio pode também vir a ser um deles. Acrescente-se ainda a indispensável captura e sequestro de CO2.

Se fizermos isto, o hidrogénio poderá, dentro de 30 anos, representar entre 18 e 25 por cento da matriz energética.

Como é que o hidrogénio entra na matriz energética? Porque nos permite ter mais renováveis, intermitentes por natureza, no sistema elétrico. Mas também permite-nos trazer outra porta de entrada para o sistema energético.

O hidrogénio é o condutor entre segmentos da energia. Porque permite armazenar energia – e, nalgumas situações, de forma sazonal –, torna possível a mobilidade e a sua descarbonização, mas não toda.

A eletrificação na mobilidade vai ser muito importante. Alguns segmentos são claros para a eletrificação, mas outros não tais como o transporte de pesados rodoviário de longo curso, a marinha de longo curso e a aviação.

Na indústria, como fonte de energia geradora de calor a altas temperaturas, mas também como matéria-prima. É necessário descarbonizar este hidrogénio que entra na indústria e nos edifícios.

Podemos vir a ter um avião movido a energia solar se aproveitarmos o sol com fotovoltaico, produzirmos hidrogénio verde e combustíveis sintéticos com a atual tecnologia que existe hoje e é razoavelmente simples.

Surgiu um conjunto de tendências que se juntaram em torno do hidrogénio. Fruto da necessidade absoluta de fazermos algo em relação às emissões de gases com efeito de estufa.

Verificamos um decréscimo enorme do custo das energias renováveis, mas também do preço das tecnologias de hidrólise. O custo da hidrólise caiu 60% em dez anos. Esperamos que nos próximos dez chegue aos 50%.

Vários países, incluindo Portugal, apresentaram várias estratégias para o hidrogénio. A União Europeia apresentou este verão uma estratégia ambiciosa com suportes e apoios financeiros para se concretizar.

Nesta tendência, existe um conjunto alargado de empresas do setor, mas também de outras áreas de atividade que perceberam que o hidrogénio vai ser importante. Têm interesse, vontade e querem entrar agora, no início!

Na Galp estamos muito comprometidos com a tradição energética e, por isso, com as renováveis, o solar, a mobilidade elétrica e com os combustíveis de baixa intensidade carbónica, que também vão ser muito importantes. Este compromisso conduziu-nos ao projeto de Sines, que está feito e a ser iniciado com a pretensão de ser um projeto âncora para o hidrogénio em Portugal.

O projeto de Sines está posicionado para ser bastante competitivo no panorama europeu e em qualquer panorama que se coloque.

São inúmeras as vezes que ouvimos as empresas e os nossos interlocutores, sobretudo fora de Portugal, a elogiarem o projeto de Sines. Porque oferece renováveis abundantes, variadas, complementares e de baixo custo; off takers fundamentais para o arranque; uma refinaria de larga escala, competitiva e com futuro; um ponto de entrada na rede de gás natural com um terminal regaseificação de gás natural liquefeito; um porto de águas profundas; uma ligação elétrica que ficará disponível a partir de 2021; rede ferroviária e outras infraestruturas que são fundamentais e que se são existissem encareceriam o projeto.

As empresas e os parceiros que estão a desenvolver o projeto estão alinhados, mas têm diferentes intervenções. O caracter modular e faseado de um projeto como este, com uma ambição de larga escala, permite acautelar o passo seguinte depois de reunidas as devidas condições.

O hidrogénio é uma oportunidade real.

O hidrogénio vai reforçar o sistema energético em Portugal e na Europa com uma energia segura, competitiva e limpa que no final do dia nos deixará mais seguros para encararmos o futuro!

E é muito importante que o façamos já para aproveitarmos os incentivos que agora estão disponíveis!  

Jornada Descarbonização | Hidrogénio - Mobilidade, 04 de nov 2020