Os desafios para o crescimento das exportações
e o papel das associações empresariais e da AICEP na internacionalização das empresas

Posição apresentada durante a intervenção do Presidente da AIP, José Eduardo Carvalho,
no Fórum Empresarial da Beira Baixa – Internacionalização e Competitividade

(…) Primeiro desafio: Alargar a base exportadora
Existem 25 mil empresas que exportam com regularidade, o que representa 6,3% das empresas nacionais. 90% destas empresas tem uma intensidade exportadora inferior a 30% e há uma elevada rotação: todos os anos há 5 mil empresas que começam a exportar e 5 mil empresas que deixam de exportar.

Segundo desafio: Reduzir o grau de concentração num só mercado
40% das empresas (10 mil) concentram a exportação num só mercado: Espanha, Angola e em menor grau França.
Esta forte dependência do ciclo económico de um só país tem de ser alterada.

Terceiro desafio: Diversificar as exportações para mercados extracomunitários
74% das exportações dirigem-se para mercados da UE (Espanha, França, Alemanha, Reino Unido) havendo necessidade de diversificar para outros mercados de destino.

Papel das AE’s na área da internacionalização
A AICEP está a trabalhar muito bem. E as AE’s têm dificuldade em competir com a AICEP na organização de missões empresariais, missões inversas, visitas a feiras, B2B, capacitação empresarial (com a criação da academia internacional/ISCTE) e nas exportações online.
Em mercados consolidados a AICEP trabalha melhor que nós. Devemos por isso privilegiar os mercados não consolidados e emergentes, onde a rede da AICEP é fraca. Devemo-nos centrar no segmento de empresas com baixa intensidade exportadora em que a AICEP não está a chegar. E conceber projetos na área da internacionalização situados em patamares mais elevados na escala de valor. O projeto de cooperação entre 5 grupos portugueses fortemente internacionalizados e as PME’s, desenvolvido pela AIP, é um bom exemplo. Pretende-se assegurar instrumentos de proteção nos processos de internacionalização de PMEs, integrar canais de distribuição e desenvolver estratégias de subcontratação.
Por último, as AEs têm necessidade de articular os seus planos de ações externas, evitando a sobreposição de iniciativas nos mesmos mercados. Os desafios colocados ao reforço da capacidade exportadora estão delineados. Compete às AEs uma procura de diferenciação e complementaridade nos seus projetos, de forma a demonstrar a sua utilidade às empresas e reinventar o nosso espaço.(…)

AEBB | Castelo Branco, 14 junho 2019