Empresas familiares e Redimensionamento Empresarial

Posição tomada pelo Presidente da AIP. José Eduardo de Carvalho, na apresentação
do livro “Manual de Gestão de Empresas Familiares”, de Luís Todo Bom

(…) O problema do crescimento das empresas está por isso relacionado com o redimensionamento empresarial, que para mim constitui um dos três principais problemas da estrutura empresarial portuguesa. Há uns anos ouvi o Eng. Luís Todo Bom dizer que “é contra o endeusamento das PME”, que “ser pequena é uma fase da vida das empresas e por isso quanto mais depressa crescerem melhor”, e concluía dizendo “gosto de empresas médias, por que têm capacidade técnica, robustez financeira e capacidade de inovação radical”.

Há muito que a AIP defende que dificilmente conseguimos alterar:
- Intensidade e a base exportadora do país;
- Melhorar a qualidade de gestão e a produtividade;
- Aumentar a capacidade de investimento na inovação;
- Pagar salários mais elevados.

Quando 50% do emprego está concentrado nas microempresas e enquanto estas representavam 96% das sociedades comerciais que entregam IES.

O tecido empresarial tem um deficit de dimensão que limita a sua atuação em mercados globalizados. E o imperioso processo de concentração empresarial tem sido frustrante: a política pública não o estimula; o associativismo empresarial não o incrementa; a consultoria especializada não o dinamiza porque não há mercado dado existir uma cultura empresarial refratária a estes processos.

A política pública tem de intervir neste domínio. Já em 2013, na convenção que organizámos, defendia-se que uma das formas de a promover seria limitar a requisitos mínimos de dimensão a elegibilidade de candidaturas a projetos de investimento nas áreas de inovação produtiva, I&D e internacionalização.

Não houve até agora neste país instrumentos de política económica nem estímulos fiscais para dinamizar os processos de concentração e redimensionamento empresarial. (…) 

AIP | Lisboa, 14 outubro 2020