As políticas do “eduquês” e o ensino profissional

Posição tomada no seminário “As Escolas Profissionais e o Mundo do Trabalho”, no dia 10 de maio de 2013, em Lisboa

(…) Portugal precisa de uma população qualificada. A qualidade dos factores produtivos e do capital humano está relacionado com o nível de educação. Há estudos que demonstram não a correlação, mas a casualidade entre taxa de crescimento económico e a educação.

E o modelo de competitividade que temos necessariamente de adoptar, coloca esta qualificação como imperativa. Por isso, não é compreensível as oscilações na adopção de políticas consoante temos ministros pró-“eduquês” ou “contraeduquês”. Não seria difícil, num país de gente responsável, definir uma matriz que privilegiasse:

- ensino rigoroso e exigente;
- disciplinador;

- propiciador de mobilidade social;
- que valorizasse a formação humana sem descurar o mercado de trabalho;
- que introduzisse o empreendedorismo como prática pedagógica.

Estamos longe de alcançar este modelo. Mas haveremos de lá chegar. Em 1640 havia mais cidadãos ingleses a ler e escrever do que em Portugal em 1940.

A herança foi por isso pesada,
mas há esperança de se conseguir o impossível (...)

(…) Alguém disse em 2002 que “o ensino profissional era um sucesso condenado, uma prioridade retórica de muitos e uma prioridade real para ninguém”.


De facto, passados 38 anos da extinção do ensino técnico-profissional (decisão do Major Emílio da Silva e de Rui Grácio), ainda não conseguimos esconjurar algumas variáveis que persistem ao longo destes anos, apesar da evolução económica e social que o país conheceu.

Esta utopia de igualdade irracional, que esteve na base da decisão, continua a onerar esta vertente do ensino.

E uma das razões principais deste preconceito reside no facto das escolas profissionais serem de iniciativa não estatal, algumas privadas, outras de natureza cooperativa, mas a maioria dinamizadas pela sociedade civil. (…)