Financiamento Bancário

Posição manifestada durante o Fórum do Financiamento, no dia 15 dezembro 2016, no Centro de Congressos de Lisboa

(…)O diagnóstico está feito. Os problemas detetados. Os instrumentos, desenhados para alterar os seus efeitos mais nefastos.

De todos eles, a situação do crédito malparado é o problema de resolução mais complexa. O valor do endividamento das empresas é de 265 mil milhões de euros (não descontando os ativos). O stock de crédito às empresas ronda os 79 milhões €.

A taxa de incumprimento é de 16,2% – 12,9 milhões. Os balanços dos bancos estão debaixo de muita pressão. E uma economia não tem saúde com um sistema bancário doente. Os bancos estão mais rigorosos na análise de risco e nalguns deles, as decisões são outorgadas e validadas nos países vizinhos. Seria desejável que nem todo o sistema bancário ficasse dependente deste procedimento. Nos primeiros 8 meses deste ano o montante dos novos empréstimos foi de 19,9 mil milhões de euros. Um dos montantes mais baixos de sempre. Empresas em incumprimento ficam na sua gestão financeira paralisada, o primeiro passo para a insolvência.
Não sabemos se o tecido empresarial tem condições para aguentar outra “limpeza de crédito agressiva”. Os efeitos nalguns setores, como a construção civil, poderão causar grandes estragos.

Não nos esquecemos qual foi a banca e os gestores que no período duro de recessão assumiram compromisso com a economia nacional. E sabemos que banca fugiu do nosso mercado quando mais dela se necessitava, e que banca se mostrou inflexível na reestruturação de créditos e na execução de garantias patrimoniais e pessoais a setores empresariais com menor peso negocial. E por via disso, devem ter taxas de incumprimento bem menores do que aqueles que se comprometeram com a economia nacional.

Uma empresa com EBITDA a menos e dívida a mais não resolve o seu problema com mais dívida ou mais crédito. Precisa, além de outras coisas, reestruturar o seu balanço. E os instrumentos para isso já foram propostos pela EMCE. Alguns, ao que se sabe, vão ser implementados brevemente. Outros não. Não é uma solução fácil. Mas há esperança que se consiga. (…)