A Estátua da Liberdade é que sabe: somos responsáveis por fazer a diferença

No início dos anos 80, a American Express deu um passo destemido criando uma campanha inusitada onde associou o uso do cartão do seu crédito à restauração da Estátua da Liberdade. Uma associação, que agora nos parece simples e natural para uma marca norte-americana com uma enorme capilaridade no país – tal como a Galp em Portugal – , mas que na altura era totalmente inédita. A dinâmica era simples e direta: doar um cêntimo por cada uso do cartão e um dólar por cada novo cartão emitido. A campanha foi um sucesso e gerou uma contribuição de 1.7 milhões de dólares para a icónica estátua da Big Apple. Assim nascia o marketing de causas.

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Em 2020, o galardão de Marketeer do Ano ficou nas mãos de Joana Garoupa

Desde então muitos caminhos foram trilhados, uns de enorme valor para as comunidades e outros, infelizmente, de tentativa de aproveitamento de temas que colhem a afinidade dos consumidores para outros objetivos que não o do bem maior. Quase quatro décadas depois, muitos são os debates sobre a ética das empresas e pelo caminho deixam-se “temas difíceis” na gaveta e projetos por realizar pelo receio de más interpretações.

Apesar da Galp ser best in class em diversos índices de referência de sustentabilidade, e ser uma empresa integrada de energia (atuando na totalidade da cadeia de valor), não se pode ignorar que a empresa é líder na mobilidade dos moldes atuais – muito baseada ainda em combustíveis fósseis – tendo um grande histórico nessa matéria. 

10 mil refeições

Nesse sentido, e apesar do nosso caminho de suporte à descarbonização, há um enorme desafio de marketing quando procuramos incorporar a sustentabilidade nas nossas mensagens. Com responsabilidade e sentido ético, avançámos com o Terra de Esperança, para reflorestar Portugal após os grandes incêndios traçando o ambicioso objetivo das 500 mil árvores. Com sentido de dever, levámos o Camião da Esperança ao Portugal profundo, para testar Covid-19 a quem estava mais isolado.

E por cada quilómetro percorrido a andar a pé, a correr ou de bicicleta – tanto na rua, como em casa, com passadeira ou bicicleta estática –, oferecemos uma refeição a uma família através da Rede de Emergência Alimentar. A premissa da iniciativa “Todos Os Passos Contam”, lançada pela Galp a 4 de março, era simples e pretendia atingir os dois mil quilómetros – e as duas mil refeições – até dia 18 de março. Mas a adesão dos portugueses pulverizou este objetivo: em menos das duas semanas previstas foram reunidos quilómetros suficientes para doar 10 mil refeições. 

Acredito que é de enorme relevância desenvolver projetos que sejam profundos nas suas convicções, sem medo ou hesitações, não só pelo impacto nos indivíduos e na sociedade, como pela mensagem que passa e a reflexão que possibilita. É particularmente premente, em contexto de pandemia, a necessidade de fomentar a discussão de temas como a saúde mental, o work life balance e até mesmo o auto conhecimento, porque nunca como agora esta geração foi obrigada a redescobrir-se.

É neste contexto que lançámos com o Rock in Rio o movimento Cria-Te, uma iniciativa inspiracional que utiliza a energia mobilizadora da música para promover o conhecimento, desafiando os portugueses a criarem hoje o seu amanhã. Um projeto que disponibiliza ferramentas para que os jovens desenvolvam conhecimentos sobre si próprios, a relação com os outros e a forma como as suas ações impactam o mundo. Um formato que resulta através da importante jornada da autodescoberta tendo por base um princípio simples: somos todos responsáveis por fazer a diferença.

A mudança começa em nós.