Da Mulher no Século XXI

Já vai longe o tempo em que, como Aristóteles in “Da Geração dos Animais” afirmava, a respeito da mulher: “A sua inferioridade física em relação ao macho é manifesta”. 

A mulher do século XXI afirmou-se como um ser cultural e instruído.

Basta atentar nos altos cargos públicos e privados ocupados por mulheres capazes, temerárias e com grande capacidade e sensibilidade políticas, sociais e jurídicas.

No mundo em que me movimento – o intrincado mundo jurídico – já não é lícito afirmar que a lei, a sua aplicação, criação ou condução é dos homens.

Todos os dias nos cruzamos com Mulheres – e Grandes Mulheres – seja no Ministério Público, na Magistratura, nos gabinetes ao lado, sócias de sociedades, CEO, ministras…

Chambers Europe reconfirma Morais Leitão como "Top Ranked Firm". A título individual, a ML assegurou um total de 63 nomeações, com destaque para a entrada de Magda Fernandes (Restructuring and Insolvency) 

Mulheres que aplicam as leis, que discutem e negoceiam contratos, que escrevem teses, que inventam, que lideram, que buscam soluções, que afirmam os seus direitos e defendem os direitos dos seus clientes.

Longe de ser um discurso feminista, há uma intuição e instinto jurídicos e uma sensibilidade ímpar das mulheres, em vários setores do Direito. 

Talvez a justificação seja histórica, porque a uma Mulher é pedido que consiga conciliar, sem mácula, tantas responsabilidades e exigências, seja a título profissional quanto pessoal, mas é certo que vemos uma ascensão evidente das mulheres em cargos de destaque.

Sou mulher, Advogada, mãe, e em nenhum momento senti que teria de optar por alguma dessas vertentes em benefício da outra. Nem tão pouco senti que o meu género fosse um handicap para a minha ascensão profissional ou para o meu reconhecimento.

Acredito na meritocracia, no espírito de missão que assiste a um advogado  

Como Advogada com especial enfoque na área de Insolvência e Recuperação de Empresas, já me encontrei no meio de uma construção civil embargada, no meio de homens de negócios e no meio da aflição de um projeto quase inviável. Não me senti inferior, nem menos qualificada, nem tampouco senti que alguém acreditou menos na minha capacidade por força do meu género.

Também como mulher que se move no mundo do direito da Família, reconheço nas mulheres um ensejo em não serem conotadas como “defensoras da mãe”, da mesma forma como vejo nos homens um esforço a não se colarem à imagem de “defensores do pai”.

É evidente que somos também um conjunto de valores, de preconceitos, de histórias e isso dita o nosso crescimento e o nosso juízo, tanto como o juízo que fazemos dos outros.

"Mas longe vai o tempo em que realmente um ser culturalmente evoluído considera uma mulher, no meio dos negócios, como um ser profissionalmente inferior. É anacrónico e arcaico considerar que estamos ainda aquém na capacidade de liderança e de condução de equipas."

A nossa igualdade e paridade físicas, intelectuais e pessoais ditam o contrário. Aristóteles, com todo o respeito – que é muito -, já não é dos nossos dias.

*Magda Fernandes é partner da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados e Co-fundadora da Associação dos Advogados de Família e das Crianças