Chegámos a Março
(não me ofereçam flores!) 

Mas antes vamos a um breve enquadramento histórico do dia Internacional da Mulher.

A ONU declarou o ano de 1975 como o Ano Internacional da Mulher. Ações e jornadas realizadas em todo o mundo foram desenvolvidas pela entidade para promover a igualdade de géneros e a proteção dos direitos das mulheres. Em 1977, oficializou a data 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.

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Um dia, penso eu, com as mulheres a continuarem a ser altamente competentes, não haverá a necessidade de existir um Dia da Mulher 

Dois dos acontecimentos mais relevantes estiveram na origem do Dia Internacional da Mulher: 

• em 8 de Março de 1857, quando um grupo de trabalhadoras da indústria têxtil organizou uma marcha em Nova Iorque, exigindo melhores condições de trabalho, a jornada diária reduzida para 10 horas e direitos iguais para homens e mulheres;
• em 25 de Março de 1911, quando um incêndio numa fábrica, também na cidade de Nova Iorque, vitimou 140 mulheres, sendo que a maioria delas estavam trancadas para evitar greves e manifestações, devido às más condições em que se viam obrigadas a trabalhar.  

Na Europa e nos Estados Unidos, surgiam assim as primeiras manifestações a favor dos direitos de trabalho das mulheres bem como o seu direito ao voto.

Em 1917, na Rússia, por ocasião dos movimentos revolucionários que acabaram com a monarquia czarista, centenas de trabalhadoras de fábricas têxteis entraram em greve e saíram à rua num protesto que pedia Pão e Paz.  

Por todas estas manifestações a ONU decidiu em 1975 que o dia 8 de março seria o dia designado ao “Dia Internacional da Mulher”, em que o objetivo era levar a conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, independentemente das suas diferenças étnicas, culturais, económicas e políticas.

Em 2008 a ONU lançou a campanha “As mulheres fazem notícia” e assim continuou a luta das mulheres em todos os sectores económicos, sociais e políticos que até aí, apesar de todas as manifestações lhes terem sido negadas! Foi o começo!

Devagar, devagarinho, as mulheres tinham liberdade de lançar-se em novos desafios. Tem sido difícil e complicado pois para entrarem no mercado de trabalho têm de provar que são realmente extraordinárias e mais competentes que os homens.

Está provado que as capacidades são iguais 

Com o passar dos anos está provado que as capacidades são iguais (embora a maternidade traga alguns impedimentos, que ainda não foram corrigidos). Também falta a parte salarial… Para o mesmo trabalho, os homens ganham mais que as mulheres!!!

E… por falar em capacidades, posso referir dois exemplos que tive a alegria e o orgulho de conhecer. Há mais, muitos mais, mas era impossível relatá-los a todos.

Em 2017, integrei uma delegação composta maioritariamente por mulheres, numa missão empresarial a Timor-Leste, promovida pela AIP. Penso que foi a primeira vez que na AIP isto aconteceu! 

Durante esta missão empresarial, tive a sorte de conhecer mulheres extraordinárias, entre as quais destaco a Helena Rodrigues (fundadora da ALLBY), detentora de grande capacidade de trabalho e uma empreendedora sem limites!

Paula Baptista (partner da High Skills) também integrou esta delegação, entusiasmada, competente, disciplinada e… agressiva q.b.!

Duas Mulheres jovens de quem ainda hoje sinto orgulho, pois são exemplos destes que fazem a diferença e que justificam a luta contra a desigualdade que nalguns casos ainda prevalece.

Um dia, penso eu, com as mulheres a continuarem a ser altamente competentes, não haverá a necessidade de existir um Dia da Mulher (que atualmente está desvirtuado). Passou a deixar de ser um dia de Luta para ser um dia de oferecer flores… 

E esse não é decididamente o princípio que levou as mulheres a entrar na luta pelos seus direitos. E ainda falta muito para alcançarem o fim dos seus objetivos.