Posição proferida pelo Presidente da AIP, José Eduardo Carvalho, no decorrer da abertura da reunião do Conselho Diretivo da AICO – Associação das Câmaras de Comércio Ibero-Americanas, em Cascais, no dia 22 de maio de 2023

A invasão da Rússia à Ucrânia e os seus efeitos
no comércio Mundial

(…) A invasão da Rússia à Ucrânia, que a AIP contesta com veemência e sobre a qual não se “senta em cima do muro”, veio provocar efeitos e consequências que alteraram a configuração do comércio mundial. Como o Eng. Mira Amaral já disse, a UE cometeu um erro geoestratégico, entregando a energia à Rússia (beneficiando do GN barato); as componentes industriais à China; e a defesa aos EUA.

Poucos acreditariam que a Alemanha (motor económico da UE) e o resto da UE, com maior ou menor dificuldade, conseguissem ultrapassar, num prazo de um ano, a dependência energética da Rússia. Foi outro feito notável da UE e Portugal também está no bom caminho da transição energética.

Mas os efeitos e as tendências decorrentes desta invasão são já evidentes:

(i) Desaceleração e fragmentação da globalização, prevalecendo negócios no interior de blocos amigos, mas não um movimento acelerado de desglobalização.

(ii) Configuram-se blocos geopolíticos com níveis homogéneos de protecionismo, defesa e autossuficiência impondo barreiras aduaneiras e dificuldades à circulação de mercadorias.

(iii) Acentuam-se tendências de deslocalização de produção para locais mais próximos do consumo. Um Estudo recente da EY evidencia que movimentos desta natureza atingiram 22% na UE nos setores da indústria, logística e I&D.

(iv) Diversificação de estratégia de produção e fornecimento até agora localizado na China e redução do peso da China no crescimento do comércio mundial que representa atualmente 25%.

(v) Redução do volume do trading internacional, privilegiando-se a segurança; a confiabilidade dos mercados e respetivos governos; e a disponibilidade do produto em detrimento do preço. (…)