Um importante “braço científico” para um inovador setor, o Centro Tecnológico das Indústrias do Couro (CTIC), implantado em Alcanena, distrito de Santarém, abriu as suas portas, no dia 24 de janeiro, à visita de uma delegação de técnicos e diretores da AIP chefiada pelo seu presidente, José Eduardo Carvalho. 

 

“Prestamos um vasto conjunto de serviços, entre eles o desenvolvimento de projetos de I&DT em conjunto com universidades para um sector fortemente exportador que gera um volume de negócios na ordem dos 400 milhões de euros, valor este realizado pelas cerca de 60 empresas que existem no país, sendo que mais de 80% delas têm unidade fabril em Alcanena”, sublinha Alcino Martinho, diretor-geral deste incontornável interface entre os fabricantes de pele para grandes indústrias como as do calçado, automóvel, marroquinaria e vestuário, e o sistema científico e tecnológico.

 

No encontro que reuniu diretores e técnicos das duas entidades, o presidente da AIP explicou o motivo desta visita ao CTIC, que este ano completa o seu 30.º aniversário de atividade, salientando o precioso contributo deste baluarte de conhecimento que tem como associados as empresas, a Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes (APIC), o IAPMEI e o IPQ. 

 

“Esta é uma visita que se insere no âmbito do roteiro da indústria transformadora que a AIP está a levar a cabo no país”, começou por dizer José Eduardo Carvalho, ao apontar as razões que estiveram na origem desta iniciativa bem como os objetivos a alcançar: “Na nossa estrutura associativa temos um peso da indústria transformadora que é muito superior ao peso que a indústria transformadora tem na economia nacional, graças ao trabalho executado pela Associação ao longo dos seus 187 anos de vida. As nossas visitas a empresas e a centros tecnológicos de diversos setores de atividade têm como objetivo perceber, mas também reconhecer, in loco, o trabalho que está a ser feito, bem como as dificuldades que existem e a forma como as têm ultrapassado. Este conhecimento granjeado no terreno é muito útil, porque nos ajuda a conceber projetos que apoiam outras empresas e organizações a colmatar as insuficiências que vão detetando. A prioridade da AIP é conceber projetos que possam laborar no chão de fábrica, na melhoria da gestão, produtividade e qualidade.”

 

 

Guardião da indústria de curtumes


Na década de 80, a indústria de curtumes passou por uma fase de crescimento considerável, correspondendo a fortes estímulos da procura, essencialmente da indústria de calçado, que absorve cerca de 90% da produção.

 

Após importantes investimentos efetuados na modernização da produção e preservação do meio ambiente, colocam-se atualmente novos desafios a que é necessário dar resposta: a globalização dos mercados, o aparecimento de novos países concorrentes com vantagens competitivas diversas, a agressividade, a flexibilidade e criatividade dos concorrentes tradicionais, vieram impor novas estratégias empresariais e novos desafios tecnológicos.

 

É exatamente para sustentar o sector nesta reconversão rumo à competitividade que foi criado o CTIC, assumindo um papel decisivo na implementação de novas tecnologias e processos, na investigação e desenvolvimento, e na preservação do Meio Ambiente, o que conduzirá o sector à sofisticação tecnológica, inovação, racionalização de processos, redução de custos, ganhos de produtividade, diversificação e segmentação de mercados alternativos aos atuais.

 

A construção do edifício, iniciada em abril de 1993, foi concluída em março de 1994, data em começou o processo de instalação de equipamentos e adaptação da estrutura às necessidades de utilização, tendo este processo culminado com a inauguração do Centro a 7 de junho de 1994. Com a inauguração das instalações deu-se início à atividade de prestação de serviços às empresas, embora ainda não em pleno, pois houve que proceder a ajustamentos e adaptações de diversos equipamentos e instalações.

 

Em 1995 foi decidido avançar para o processo de acreditação dos laboratórios, como reforço da credibilidade dos serviços prestados pelo Centro aos seus associados. Os esforços desenvolvidos a partir dessa altura, conduziram à acreditação dos laboratórios de acordo com as normas NP EN 45000, nas áreas de peles, efluentes líquidos e águas de consumo.

 

O admirável mundo CTIC

 

Nos dias de hoje, e para bom registo, as principais áreas de atuação do CTIC são a sustentabilidade e economia circular; laboratórios; certificação e normalização; formação; segurança alimentar; indústria 4.0, automação e digitalização; estudos e projetos; e a I&DT – Inovação e Desenvolvimento Tecnológico.

 

Área de excelência, a I&DT tem ao seu cuidado a transferência de tecnologia, a otimização de processos, o desenvolvimento de artigos técnicos e funcionais e, por último, mas não menos importante, as parcerias com empresas e entidades do Sistema Científico e Tecnológico, que se concretizam através de projetos de I&DT, no âmbito nacional e internacional.

 

Para melhor entendermos o alcance deste trabalho, são bons exemplos os projetos “Bio Nature” – couro biodegradável, isento de metais pesados; “Couro Easy-Clean Couro Self-Clean” – capacidade de autolimpeza; “InovLaser” – couro com acabamento a laser, ou seja, com desenhos e efeitos exclusivos; “Biotrace 4 Leather” – marcadores biológicos para rastreio do couro para garantir o seu aspeto natural e caraterísticas técnicas; “Leather 3D” – produção de fio de couro para impressão 3D, com valorização de resíduos sólidos curtidos; “Cardio Leather” – couro condutivo para veículos automóveis, com sistema de monitorização e avaliação, para melhorar segurança rodoviária; “Bioshoes 4 All” – novos bio produtos à base de subprodutos ou resíduos biológicos vegetais nacionais, processos para valorização de resíduos do processo de curtumes em novos bio couros e acabamentos de base biológica e 100% aquosos, entre outras possibilidades.