O Road Show I&D realizado a 4 de abril pela AIP, com o apoio da Câmara Municipal de Loures, na mostra “Loures Investe em Si”, permitiu alertar as empresas interessadas nos financiamentos para inovação e desenvolvimento (I&D) que podem receber serviços para a atividade de I&D a baixo custo, com redução do preço dos serviços (nacionais e internacionais) até 87,5%, ou seja, a PME paga somente 12,5% do custo real do serviço na realização de estudos, aplicação de tecnologias inovadoras, criação de protótipos, desenvolvimento de produto e/ou serviço, entre outras necessidades.

Este foi o quarto encontro da iniciativa desenvolvida pela AIP em parceria com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCT) e a FNWAY,  destinado a explicar quais são os financiamentos disponíveis no Portugal 2030, PRR e no Horizonte Europa que apoiam a inovação empresarial e os investimentos na Investigação e Desenvolvimento (I&D), em áreas como a Robótica, Inteligência Artificial, Energia, Descarbonização, Indústria 4.0, Manufatura, Automação, Big Data, Data Analytics, Internet das Coisas e Sistemas Complexos Inteligentes. 

Para potenciar o negócio seguindo uma estratégia com base na inovação, as empresas tiveram oportunidade de fazer o levantamento das necessidades de I&D com os investigadores da Universidade de Lisboa presentes no encontro que contou com as intervenções de José Eduardo Carvalho e Ricardo Leão, presidentes, respetivamente, da AIP e da Câmara Municipal de Loures; o engenheiro Luís Mira Amaral, da FNWAY; e Ricardo Jardim Gonçalves, professor catedrático da NOVA FCT. 

“Fazemos por todo o País um roteiro de sensibilização e mobilização da procura de projetos de inovação, investigação e desenvolvimento”, sublinha José Eduardo Carvalho ao referir Luís Mira Amaral que, “com a sua experiência, faz um retrato dos sistemas de incentivos que existem para as empresas, em geral, e, para a inovação, em particular”. E Ricardo Gonçalves, que “faz uma explanação dos projetos de investimento que a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa está a desenvolver nos seus nichos de especialização”. Os investigadores presentes em cada encontro “reúnem com as empresas que desejam apresentar as suas carências em termos de inovação, investigação e desenvolvimento”. 


“Convergência da economia nacional com a europeia ganha-se em Lisboa e não contra Lisboa”

A competitividade territorial, tema em destaque também neste encontro, “está correlacionada com o grau de cooperação e integração que possa existir entre as empresas, as universidades e as autarquias”, disse o presidente da AIP ao considerar que, “infelizmente, na Área Metropolitana de Lisboa (AML) não há precedentes significativos nem boas práticas desta integração e cooperação no desenvolvimento e no crescimento económico”. 

Lisboa tem de ser “encarada de outra forma, pois a AML continua com uma redução significativa do peso no PIB nacional, tendo uma balança comercial desequilibrada devido ao fortíssimo peso da exportação de bens”, salientou José Eduardo Carvalho ao explicar que “o mais preocupante é a resignação dos seus principais atores perante as insuficiências dos programas operacionais regionais de Lisboa e perante a excessiva restrição e excessivas limitações no acesso das empresas aos sistemas de incentivos”. 

Por outro lado, dá conta de “uma ausência total de cooperação e integração de projetos, ações e iniciativas entre as autarquias, os municípios, as empresas e as universidades”, modus operandi que “condiciona o potencial de desenvolvimento que esta sub-região podia ter”. 

“Se nós conseguirmos consensualizar que a saúde e a economia de uma região e de um País dependem da capacidade de atração de investimento estrangeiro e do peso das exportações no PIB, quer seja nacional ou regional, do crescimento do Produto Interno Bruto e da atração ou retenção das competências, capacidades e qualificações, chegamos à conclusão de que estes fatores não estão consagrados como pilares estratégicos de Lisboa que entronquem na estratégia da competitividade”, mas também “não estão no centro estratégico territorial da AML”.

“Sabemos que a convergência da economia nacional com a europeia ganha-se ou perde-se em Lisboa e não contra Lisboa”, sublinha o presidente da AIP.

Lisboa representa 30% de todas as empresas do País, 36% do PIB, 35% do VAB, 40% das remunerações que são pagas no país e 35% da coleta do IRS. “Temos uma economia com o maior peso nos serviços do País, boas escolas de Gestão e de Engenharia – se bem que algumas destas últimas ainda com pouca ligação às empresas e ao tecido empresarial –, e bons centros e Pólos de Investigação”, precisa, ao defender que “os municípios da AML, nomeadamente os municípios situados a norte, têm de fazer pela vida”, e dando como exemplo outros: “Os da Península de Setúbal já iniciaram esse caminho. Penso que aqui há necessidade de o fazer”. 


AIP aposta na competitividade da envolvente territorial para benefício das empresas e dos municípios do norte da área metropolitana de Lisboa

Nesta linha de pensamento, a AIP está a “reforçar a intervenção nos domínios da competitividade territorial desta sub-região”: “Até agora, o core da AIP, e muito bem, centrava-se nos decréscimos e na melhoria da qualidade de gestão das empresas e da sua produtividade. Neste momento, justifica-se introduzir no core da Associação a competitividade da envolvente territorial”.

Ao realçar o trabalho do presidente e do executivo da Câmara Municipal de Loures nesta área, José Eduardo Carvalho reafirmou a “disponibilidade, empenho e compromisso da AIP em colaborar neste desafio e desiderato”: “Se o Sr. Presidente da Câmara de Loures entender que deve continuar a liderar este desafio, fazendo que outros municípios do norte da AML se associem, gostaria de dizer que a AIP estará ao seu lado nesse caminho. Há muito a fazer nas áreas da inovação, investigação e desenvolvimento tecnológico”. 


Novo Governo deve abrir a toda a comunidade os relatórios de progresso das Agendas Mobilizadoras Verdes e da Inovação

O trabalho efetuado pelas 53 Agendas Mobilizadoras Verdes e da Inovação, partilhado no segundo encontro anual realizado em março na cidade de Leiria, mereceu, da parte do presidente da AIP, um comentário de louvor, mas também suscitou um apelo de José Eduardo Carvalho aos governantes.

 “A AIP integrou a Agenda Verde da eco cerâmica e cristalaria de Portugal. As Agendas Mobilizadoras usufruem um incentivo de 9 mil milhões de euros para fazer um investimento estimado de 7,7 mil milhões. Gostei do que ouvi. Há um movimento de cooperação entre grandes e pequenas empresas e as universidades que neste momento está consolidado. E, se houver capacidade e cofinanciamento para a componente do investimento privado que não está subvencionado, penso que isto vai permitir – há fortes expetativas que o indicam – uma alteração do perfil produtivo da nossa economia. Existe muita tecnologia digital, automação e robotização que neste momento está a ser aplicada no ‘chão de fábrica’. Se o novo Governo continuar empenhado na prorrogação do trabalho que se está a fazer nas agendas mobilizadoras, será necessário abrir a toda a comunidade a apresentação dos relatórios de progresso, e não apenas aos consórcios que estão a dinamizar estas áreas. Aquilo que se está a fazer é extremamente interessante”, sublinhou.