A Sovena, empresa pertencente à Nutrinveste, a holding do sector agro-industrial do Grupo Jorge de Mello, foi agraciada, na AIP, no dia 8 de março, com o “Prémio Internacionalização CCILB”, entregue pelo ministro Caldeira Cabral a Jorge de Melo, representante da empresa, na presença do presidente da AIP, do embaixador do Brasil em Portugal, e do presidente da CCILB.

A Nutrinveste é o segundo maior player mundial no sector do azeite e óleos alimentares. Promove a especialização em cada fase da vida do azeite, estando presente desde a produção à distribuição.

AIP concentra esforços no aumento da intensidade exportadora das empresas

“Vender 600 milhões de bens para um mercado com as características, a dimensão e as potencialidades do mercado brasileiro é um indicador que não satisfaz ninguém”, disse José Eduardo Carvalho, presidente da AIP, no seminário sobre o impacto económico e comercial do futuro acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, realizado no dia 8 de Março, na sede da Associação, em Lisboa.

Para José Eduardo Carvalho, que interveio neste encontro com empresários organizado em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB), tal facto “explica o empenho, o interesse e também a prioridade que a AIP coloca nas relações com o Brasil”.

“Há muito por fazer e é grande a expectativa acerca dos efeitos e consequências que poderá ter o acordo comercial UE-Mercosul”, frisou o presidente da AIP na abertura do seminário.

O evento também contou com a participação de Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia; Luis Figueiredo Machado, embaixador de Portugal no Brasil; Francisco Murteira Nabo, presidente da CCILB; João Tatá dos Anjos, responsável da Representação da Comissão Europeia em Portugal; Jorge Rebelo de Almeida e Armindo Monteiro, líderes, respectivamente, da Vila Galé, um dos principais grupos hoteleiros portugueses, e da Compta, ambas com investimentos bem-sucedidos naquele país; Jorge de Mello, do grupo Sovena; e Jorge Pais, vice-presidente da AIP.

“Tenho a convicção que política económica deve ser revista através de um processo de aprendizagem de erros”, observou José Eduardo Carvalho, aconselhando que “um dos erros que este país não deverá voltar a cometer é ter desequilíbrios graves na sua balança comercial”.

A AIP “não está sozinha nesta consideração por ter assumido, por força da capacidade exportadora das empresas, esse desígnio nacional”, referiu ao sublinhar o caminho a percorrer para atingir esse desiderato: “Concentramos os esforços da associação para trabalharem neste desígnio”.

Neste momento, existem em Portugal 40 mil empresas que exportam ou que estão internacionalizadas. Mais de metade deste volume tem uma intensidade exportadora inferior a 25%. “É precisamente neste segmento que concentramos a nossa actividade”, salientou o presidente da AIP.

Manuel Caldeira Cabral: “Continuar a reforçar a confiança que se foi construindo”

“Agradeço à AIP e a todos os empresários presentes o concretizar do que são estas relações, que têm a ver com investimentos, exportações, relações comerciais e muito mais: confiança que se foi construindo e que se tem de continuar a reforçar” – palavras do ministro da Economia que assinalam a importância do “estado de arte” das relações entre os dois países, proferidas durante a sua intervenção no seminário.

“Portugal deve ser cada vez mais uma porta de entrada das empresas do Brasil na União Europeia, onde os sectores mais diversificados sabem que esta é uma oportunidade que devem aproveitar”, referiu Caldeira Cabral, ao aconselhar o “reforço dos laços entre o Mercosul e a UE”: “Vivemos um momento histórico, com os principais países do Mercosul a terem hoje uma posição muito mais forte. A Europa deve aproveitar esta oportunidade e estar aberta à construção de pontes com o resto do mundo”.

Mercado com 200 milhões de habitantes, o Brasil tem feito “grandes investimentos em Portugal, quer estruturantes, na indústria, como é o caso da Embraer, quer pessoais, de muitos brasileiros que decidem residir em Portugal”, relevou o ministro.

É também um mercado turístico que tem vindo a crescer nos últimos anos e que, “mesmo com esta crise, não perdeu significado”. Conforme explicou, “este momento mais difícil da economia brasileira não nos deve fazer descurar que estamos perante um grande país, um grande mercado e uma grande economia”.

Por outro lado, segundo evidenciou Caldeira Cabral, “é bom ver o crescimento do investimento português no Brasil e não o retrocesso desse investimento”. O titular da pasta da Economia falava agora daquele “investimento mais diversificado, em áreas em que Portugal tem muito potencial como é o caso do turismo”, mas também do “conhecimento de gestão de ligação internacional”, com provas dadas em projectos bem-sucedidos nesse país”.

Mercado transatlântico de 750 milhões de consumidores

Em jogo está a constituição de um mercado transatlântico de 750 milhões de consumidores, ou seja, unir os dois grandes mercados, um de 500 milhões de europeus e outro de 250 milhões de consumidores dos países do Mercosul. Na perspectiva destes últimos, é muito importante aceder livremente sem tarifas alfandegárias a uma economia que representa um quinto do PIB mundial.

Em 2015, o valor dos bens e serviços importados pela UE a partir dos países do Mercosul foi de 44,147 mil milhões de euros.

Em negociações há mais de 20 anos, é agora esperado que a assinatura deste acordo histórico possa tornar-se uma realidade até ao final de 2017.