O presidente da Confederação Empresarial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP), Salimo Abdula, recomenda que Portugal “pode e deve jogar papel fundamental na dinamização e aceleração de negócios entre os países da CPLP e da União Europeia”. Falando em Lisboa, na conferência “Perspectivas da América Latina nas dinâmicas com a Europa e a CPLP”, Abdula afirmou ainda que “com o apoio e experiência de empresários e associações como a AIP”, a CPLP pode ser “catalisadora de oportunidades, gerar riqueza, desenvolvimento social, milhões de empregos e renda para as populações”.


“A Confederação Empresarial da CPLP tem vindo a crescer muito como resultado da dinâmica dos seus associados, e neste caso particular, reconhecemos a valiosa contribuição da AIP, de Portugal, da CACB, do Brasil, e dos países representados na AICO”, referiu aquele responsável, sublinhando que o encontro serviu para “abertura de portas a mais oportunidades de negócios, partilha de experiências e muita aprendizagem para todos os envolvidos”.


“A CPLP tem um potencial incrível para se tornar uma referência económica no mundo em sectores como a energia, a agricultura, o turismo e os serviços”, relevou aquele responsável ao referir-se aos “recursos abundantes” existentes nos países desta comunidade, sobretudo “terra arável, água, população jovem e recursos minerais”.


A título de exemplo,  Salimo Abdula  aponta o sector do petróleo e do gás. “Dentro de duas décadas, a CPLP será responsável por 25 a 27 por cento da produção mundial”, prevê o dirigente, deixando uma pergunta para reflexão: “Conseguimos imaginar a quantidade de oportunidades a serem geradas pela cadeia de valores inerentes só neste sector?” 


“Construir uma plataforma empresarial que permita às PME e aos dirigentes empresariais trabalharem em conjunto”, e a “necessidade de internacionalização das empresas, através de parcerias no mercado em que pretende entrar, reduzindo deste modo os riscos de erro, resultante da falta de conhecimento de como fazer negócios no outro país”, são assuntos que merecem especial atenção por parte da CPLP e da AIP. 


Salimo Abdula chamou também a atenção  para a necessidade da livre circulação de pessoas, bens e capitais nos países da CPLP e dentro dos blocos regionais em que estão inseridas estas nações. 


A apresentação de oportunidades de negócio e investimento por empresários de Miami marcou o arranque para o networking empresarial no âmbito da conferência organizada pela AIP, nos dias 1 e 2 de Outubro, no CCL e na sede da Associação, em Lisboa. 


Durante o evento, foram debatidos temas como “Portugal Plataforma de Negócios – Europa, América Latina e CPLP: Que desafios?” e “Lisboa e Miami: Turismo e Negócios Internacionais – Modelos de desenvolvimento”, para além de temas ligados à arbitragem comercial. 


A conferência decorreu por ocasião da assembleia-geral da AICO, realizada em Lisboa pela AIP, na qualidade de representante portuguesa.  


A AICO é uma organização ibero-americana que integra e coordena as câmaras de comércio e indústria da América Latina, Península Ibérica e respetivas comunidades empresariais nos EUA. 


António Silva, administrador da AICEP: “Empresas portuguesas, da América Latina e da CPLP podem fazer muito mais” 


Os países da América Latina “são um grande destino para empresas as portuguesas, mas há ainda muito a fazer, apesar do crescimento das trocas comerciais com Portugal ter praticamente duplicado nos últimos cinco anos”, garantiu António Silva, administrador da AICEP, durante a sua intervenção na abertura da conferência. 


Segundo António Silva, “os empresários portugueses, latino-americanos e da CPLP podem fazer muito mais, nos mercados de cada um, em terceiros mercados e em associação com outras empresas”. 


“Há uma complementaridade e um interesse muito grande entre as empresas de Portugal, da América Latina e da CPLP para trabalharem em conjunto, explorando oportunidades”, concluiu, ao apontar as “missões empresariais aos países como uma das iniciativas através das quais se podem dar a conhecer”, ações que a AIP desenvolve no âmbito do apoio que presta à internacionalização das PME.