“Seria indesculpável não tentar a concretização de um projeto que permita a redução do peso da fatura energética nas PME, por via do aumento da capacidade negocial agregada nas empresas, é este o nosso objetivo e penso que vamos conseguir implementá-lo”, afirmou o presidente da AIP, na apresentação pública da plataforma da AIP e.UTIL (as empresas já podem registar-se), a primeira aplicação digital de leilões para a negociação de compras agregadas de “utilities” destinada a PME, que decorreu na sede da Associação, no dia 6 de abril, na presença de mais de 100 empresas, oriundas de várias regiões do país.

“Vamos operacionalizar um instrumento de compras agregadas de utilities para PME, começando pela energia e estendendo depois a outras áreas, operação que visa inicialmente as empresas nas designadas regiões de convergência, e que depois será estendida às restantes zonas do país”, anunciou José Eduardo Carvalho que, reconhecendo “a falta de cultura de cooperação existente na gestão em Portugal”, considerou que este projeto se insere numa área nobre de intervenção na atividade das associações empresariais. “A competitividade via custo continua a ser extremamente importante nas atuais condições da economia portuguesa”, finalizou.

A e.UTIL, que conta com o apoio financeiro do Compete 2020, irá realizar leilões invertidos periódicos, tendo em conta as necessidades, especificidades e perfil de consumo de cada PME.

Jaime Andrez: “Custos podem baixar com a intervenção de aquisições agregadas”

“Nas entidades que jogam na envolvente para apoiar as empresas estão as estruturas associativas e a AIP já não surpreende pelas iniciativas meritórias e muito inovadoras, tal como esta que está a ser apresentada”, assim classificou Jaime Andrez, presidente do Compete 2020, a plataforma e.UTIL da AIP.

“Este projeto concentra-se nas rúbricas da estrutura de custo das empresas que têm um peso relativo importante e que podem baixar significativamente com a intervenção de aquisições agregadas”, referiu aquele responsável durante a sua intervenção na abertura do encontro. “Estou certo que será um sucesso e como tal contribuirá para o sucesso do Compete 2020. Precisamos de bons projetos como este e de entidades credíveis como a AIP que os promovam”, concluiu.

Vitor Santos: “Aparece no momento certo e vai permitir que haja maior concorrência num segmento de mercado onde ela não existe”

Para Vítor Santos, presidente da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) “o grande desafio, atualmente, já não é, apenas, a passagem da tarifa regulada para a tarifa de mercado liberalizado, mas antes criar condições para que a mudança ocorra dentro do mercado liberalizado. Há uma nova dimensão de atuação dos comercializadores, do regulador e de outras entidades no sentido de estimular a fluidez e a mudança e a capacidade de os consumidores, e também os industriais, no sentido de escolherem o comercializador que lhe oferece melhores condições. O segmento do mercado em que existe maior concorrência é nos grandes consumidores industriais. A concorrência é menor nas PME e nos pequenos negócios, pelo que é bem-vindo este tipo de iniciativas”, afirmou o presidente da ERSE.

“Gostava de felicitar o presidente da AIP por esta iniciativa. É muito bem-vinda, penso que vai ter muito sucesso porque aparece no momento certo e vai permitir maior concorrência num segmento de mercado onde ela não existe. Trata-se de uma atuação descentralizada por parte de uma entidade associativa. É um projeto que faz todo o sentido e que aparece no momento certo”, reforçou.

“Para além de saudarmos esta estimulante e interessante iniciativa da AIP gostava de colocar a ERSE à disposição da AIP, uma vez que se trata de um instrumento promotor da concorrência, para dar o apoio necessário para que este seja, e estou certo que vai ser, um grande sucesso”, finalizou.

Seguiu-se o relato de experiências internacionais de compras agregadas, por parte de Nuno Ribeiro da Silva (Endesa), Miguel Barreto (Wattguard Portugal) e Pieter Ijzerman (DeeSeeDee Associates). A moderação do painel esteve a cargo da jornalista Lurdes Ferreira (Público)

“Compras agregadas de utilities – o desafio para as empresas/apresentação do projeto e.UTIL” foi o segundo assunto da sessão. Intervieram António Cunha Horta (AIP), Jorge Ferreira (Quantico Solutions) e Alexandre Fernandes (Wattguard Portugal).

Carlos Santos (RNAE), António Comprido (APETRO) e Cruz Morais (APE) comentaram este tema, moderado pelo jornalista Miguel Prado (Expresso).