“Partilhar responsabilidades, conceber projetos e trabalhar em áreas consideradas áridas é o caminho a seguir no associativismo, sobretudo nas áreas mais difíceis, como é o caso do mercado de capitais. É o que temos desenvolvido em conjunto com outras grandes associações empresariais nacionais, como a AEP, e também com algumas associações empresariais regionais de grande dimensão e representatividade, como é o caso da Nersant”, afirmou o presidente da AIP na apresentação do projeto Finance for Growth, dia 7 de fevereiro, em Santarém. Na presença de cerca de centena e meia de empresários, José Eduardo Carvalho sublinhou que este projeto pretende “contribuir para melhorar e diversificar as condições de acesso e soluções de financiamento das PME mas sem a CGD, o IFD, a Euronext e a Universidade Católica não havia capacidade para o executar”.

Referindo-se ao trabalho associativo, o presidente da AIP disse que há áreas que têm vindo a ser negligenciadas e apontou o redimensionamento empresarial e a conceção de instrumentos e mecanismos alternativos ao financiamento empresarial.

Para justificar esta lacuna, José Eduardo Carvalho indicou a dificuldade da tarefa: “Exige muita persistência e muita competência para dinamizar a procura. Tanto nas fusões e aquisições e na cooperação como também na área do financiamento alternativo ao sistema bancário. Acresce que a cultura empresarial vigente é refratária a este objetivo e não o vê com simpatia, tanto no financiamento como na abertura de capital. O corolário são as probabilidades de insucesso das ações que são desenvolvidas nestas áreas. Por todas estas razões, as associações se têm afastado. Preferem a formação ou a internacionalização”.

“Se considerarmos que os capitais próprios de 90% das PME nacionais não dão para suportar a viagem e estadia de uma semana de um diretor comercial na China, percebemos qual a dimensão do problema”, exemplificou. “É reconhecido que a dimensão de 90% das PME compromete acréscimos de competitividade, a qualidade de gestão, o crescimento e o nível de salários que é praticado”, reforçou o presidente da AIP.

Durante a sessão foram apresentados os casos de sucesso da empresa TRIM NW e do grupo Politejo. A TRIM NW foi criada há quatro anos em Santarém, é fornecedora da indústria automóvel e exporta 90% da produção. O grupo Politejo foi fundado em 1978, na Azambuja, e tem atualmente nove unidades industriais de tubos termoplásticos em Portugal, Espanha, Moçambique, Brasil e Angola.

O projeto Finance for Growth é uma iniciativa da AEP e AIP com cofinanciamento do Compete. Trata-se de um programa de informação e capacitação das PME para acesso ao mercado de capitais e outras fontes de financiamento. Este projeto destina-se a apoiar as empresas mais ambiciosas, dinâmicas e inovadoras na próxima etapa de crescimento e internacionalização, pretendendo contribuir para melhorar e diversificar as condições de acesso ao financiamento e promover estruturas financeiras mais equilibradas nas empresas das regiões de convergência. O projeto conta com o envolvimento de investidores/financiadores, especialistas de mercado, analistas, auditores, universidades e reguladores