“A conceção e dinamização de mecanismos alternativos ao financiamento empresarial é uma das áreas que as associações empresariais desprezam ou em que são negligentes. Porque exige um trabalho muito persistente. A cultura empresarial dominante é, também, um pouco refratária a este tipo de trabalho e a estes estímulos. Acresce que as probabilidades de insucesso dos projetos ou ações nestes domínios é muito elevada. Pelo que as associações empresariais continuam com as atividades tradicionais, na formação, nas missões empresariais ou na internacionalização. Ora, é por ser uma área difícil e muito árida que se justifica que as associações lhe dediquem mais esforço”, defendeu o presidente da AIP, na apresentação do projeto Finance for Growth, dia 28 de fevereiro, em Leiria. Na presença de mais de uma centena de empresários no auditório da NERLEI, José Eduardo Carvalho foi perentório: “quando surgiu a Euronext a desafiar-nos para este projeto, imediatamente aderimos, juntamente com a AEP”.

De acordo com o presidente da AIP, “continua a haver grandes constrangimentos de acesso ao mercado de capitais, o que também contribui para a desmobilização. Por outro lado, o sistema bancário nunca esteve muito interessado em dinamizar o segundo mercado. O atual grau de sofisticação dos sistemas de informação de gestão das PME também não ajuda a que haja sucesso nestas áreas. Perante este quadro, há uma compreensiva retração e pouca adesão a estas matérias”, o que contrasta “com o que verificamos que Polónia, Israel, Itália e Irlanda, em que obviamente com muito trabalho e apoio de política pública, a colmatar as falhas de mercado que possam existir, têm tido sucesso nestas áreas”.

Durante a sessão foram apresentados os casos de sucesso das empresas KLC e Grupo SOCEM. A KLC foi fundada em 1993 e especializou-se na produção de peças injetadas de valor acrescentado. Fornece nomeadamente para a indústria automóvel e eletrónica de consumo. Atualmente com capital 100 por cento nacional, é liderada por Pedro Colaço e conta com mais de uma centena de colaboradores. Coube a Luís Febra descrever a evolução do grupo SOCEM, que nasceu em 1986 e hoje já conta com 10 empresas e cerca de 400 colaboradores. Tem a indústria automóvel como principal cliente. Em 2011 passou a contar com uma capital de risco. Em 2018 teve uma faturação de 51 milhões de euros

O projeto Finance for Growth é uma iniciativa da AEP e AIP com cofinanciamento do Compete. Trata-se de um programa de informação e capacitação das PME para acesso ao mercado de capitais e outras fontes de financiamento. Este projeto destina-se a apoiar as empresas mais ambiciosas, dinâmicas e inovadoras na próxima etapa de crescimento e internacionalização, pretendendo contribuir para melhorar e diversificar as condições de acesso ao financiamento e promover estruturas financeiras mais equilibradas nas empresas das regiões de convergência. O projeto conta com o envolvimento de investidores/financiadores, especialistas de mercado, analistas, auditores, universidades e reguladores.