“As prioridades para os próximos anos serão o redimensionamento empresarial e a criação de competências digitais. São as duas áreas de maior importância em que deve haver uma concentração da política pública e dos recursos públicos”, destacou o presidente da AIP no seminário de balanço do projeto MOVE PME, que decorreu em Coimbra, dia 25, e que contou com a participação de Nelson de Sousa, secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, de Jaime Andrez, presidente do Compete e a presença de mais de 300 empresários de todo o país.

O presidente da AIP defendeu a fixação de requisitos de dimensão mínima. “Seria importante, para promover a concentração empresarial, condicionar a requisitos de dimensão mínima, as candidaturas a projetos de investimento, pelo menos nas áreas de I&D e de internacionalização”. Sobre o redimensionamento empresarial pouco se tem feito, pois “as empresas não aderem aos processos de concentração e as associações empresariais nem os colocam como prioritários nas suas atividades”, acrescentou.

José Eduardo Carvalho declarou que “só com ganhos de escala, através de concentração empresarial, haverá capacidade para pagar salários elevados, investir em inovação e reforçar a capacidade exportadora. É difícil fazê-lo quando 50% do emprego está concentrado em micro empresas”.

“Com a redução de fundos europeus prevista no próximo quadro comunitário, imaginem-se as consequências se não for possível financiar projetos de inovação nas grandes empresas. E o que isto significa para um país como Portugal que necessita de captar investimento estrangeiro, se as empresas não tiverem essa possibilidade”, foi outra das preocupações manifestada por José Eduardo Carvalho.

 Modelo piloto para otimizar apoios e ganhos de competitividade

 De forma a tornar o atual modelo de gestão de incentivos mais eficaz no apoio à competitividade das empresas, o presidente da AIP avançou com a sugestão de implementação de um modelo piloto. “Em vez de candidaturas individualizadas por áreas de investimento, traria grandes vantagens para a otimização dos fundos comunitários e dos seus reflexos na competitividade das empresas se estas elaborassem uma candidatura única, integrada num plano estratégico de desenvolvimento e enquadrando um planeamento que evidencie as necessidades de investimento nas diferentes áreas. Esta candidatura seria objeto de contratualização pelo valor global do investimento. O recebimento dos respetivos incentivos seria de acordo com o plano de execução definido e concretizado pela empresa”.