“As nossas exportações para os mercados ibero-americanos só representam 3% do total. Há um potencial de crescimento nas relações que tem de ser aproveitado”, afirmou o presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), José Eduardo Carvalho, na sessão de abertura da conferência “Perspetivas da América Latina nas dinâmicas económicas com a Europa e a CPLP”, que decorreu no âmbito da assembleia-geral da Associação Ibero-americana de Câmaras de Comércio (AICO), que a AIP organizou dias 1 e 2 de outubro em Lisboa, e juntou cerca de 200 empresários de mais de 20 países sul americanos, da Florida e da península ibérica. Este encontro permitiu a realização de contatos bilaterais previamente agendados.

“Neste momento, há uma dinâmica económica assinalável em Portugal. Crescimento de 2,7% em 2017, o desemprego diminuiu para 6,7%, a balança comercial de bens e serviços é positiva, os indicadores macroeconómicos são satisfatórios, as contas públicas estão controladas, há uma evolução muito positiva na internacionalização das empresas e no reforço da sua capacidade exportadora, existe um ambiente favorável aos investimentos e à atividade empresarial, como podem testemunhar”, foi a forma mobilizadora como José Eduardo Carvalho caracterizou a situação económica do país perante os empresários ibero-americanos presentes.

O presidente da AIP referiu que, com exceção de Espanha e Andorra, “exportamos para os países membros da AICO, 1,6 mil milhões de euros. Importamos 2,2 mil milhões de euros. O Brasil, o México e o Chile concentram 81% das nossas exportações para esses mercados. Brasil, Colômbia e México concentram 76% das nossas importações”. Tendo em conta aqueles valores, José Eduardo Carvalho considera que, “neste momento, é do interesse do país diminuir o peso relativo das exportações para os mercados intra-comunitários, que representam 73%”.

“Na conjuntura atual, apoiar as empresas, especialmente as PME, defender a liberdade do comércio e a concorrência é uma missão corajosa, mas ao mesmo tempo imperativa. Percebe-se que as correções dos défices comerciais, acentuadamente negativos, possam provocar a tendência de adotar medidas e políticas protecionistas. Mas a política económica protecionista, que alguns defendem, terá sérias repercussões no futuro e é altamente lesiva dos pequenos países e mercados que têm economias abertas. Por todas estas razões, a AICO não terá, neste momento, uma tarefa fácil e daí o seu incontornável papel, ação e importância”, afirmou José Eduardo Carvalho.

José Eduardo Carvalho indicou que “a AIP há muito que passou a utilizar um só critério na análise das políticas públicas e das políticas económicas: se beneficiam ou desfavorecem a conta de exploração das empresas. Se a melhoram ou agravam. E é só com este critério que a AIP se posiciona na análise das políticas económicas em Portugal”, finalizou.

 António Mota, António de Andrade Tavares e Dionísio Pestana galardoados

Sendo prática nas assembleias anuais a AICO distinguir o percurso de três empresários de reconhecido mérito do país onde a reunião se realiza, a AIP identificou António Mota (Grupo Mota-Engil), António de Andrade Tavares (Renova) e Dionísio Pestana (Grupo Pestana). O prémio foi atribuído com base no percurso empresarial, tendo em conta a dimensão económica, social e cultural.